Santa Criatividade

Santa Criatividade

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Ele era santo e não sabia....

A veia de Charles Bukowiski me excitou....
Aquela mulher, santa mãe, exemplo da espécie feminina, viaja entre meus neurônios, entre minhas veias e artérias, excitando meus órgãos, todos eles, fazendo-me pensar no que farei ao encontrá-la deitada na cama do hotel, reservado com todas as más intenções, para noite desejada.
A noite cai e com ela minha vontade aumenta. No horário combinado a vejo, envolta em fios de seda, vestido esvoaçante, branco e vermelho, satã encarnada, alma despida de pudores, pronta para satisfazer os seus, os meus e nossos desejos de sexo. Sexo selvagem! Nada de trivial, sexo safado.
Após algumas garrafas de vinho Tannat, safra 2007, sorvidos em taças de cristal tcheco, todo o luxo exposto dá lugar à pobreza de modos. Pobre daquele que não sabe ser pobre com uma puta. Pobre, pobre, a pobreza começou a aparecer. Arranco-lhe o vestido demoníaco e liberto a vagabunda de dentro dele. Seios duros, apontados para o espaço, bundas largas, postadas a dar prazer, pernas torneadas, lindas, vagina lindamente depilada mostrando o quão safada e despudorada estava aquela mulher, santa mãe.
Penetro-a com toda a força, faço-a urrar de prazer. Corpos suados e embolados se comendo como dois animais no cio.
Não demoro a gozar, farta e abundantemente em sua boca. Beijo-a logo em seguida, mostro-a toda a minha insaciedade por sexo, insaciedade por ela.
Aquela puta, devoradora de homens, após tomar todo o leite de prazer, volta a ser a santa mãe. Põe seu vestido, calça seu louboutin 37 de cor branca com salto amarelo, cheio de escritos tarjadas no seu couro, e parte rumo ao seu lar. Sua família a espera!
E eu?
Eu fico, fico pensando no quão santo eu sou quando me deparo com elas! Elas, as mulheres decididas a serem devoradoras, putas por um momento apenas.
Volto para meu mundo, copo de scotch irlandês, duas pedras de gelo, música de Bach no mp3...
Ah, como sou santo!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Ah, o amor!

A cada sol que nasce, mesmo que não o veja, há um novo iluminar de mentes. A cada mente iluminada, há uma nova idéia plantada, uma nova lembrança despertada, um novo amor semeado.
As pessoas não sabem disso, ou sabem? Creio que não! Teimamos em continuar a lamuriar as dores de ontem, os ciúmes de ontem, as fomes de ontem. Porque não olhar para o sol que nasce e planejar o futuro. Esqueça as dores, os ciúmes, as fomes, fome de amor, fome de querer, fome de amar, fome de saber, pense para frente, sempre!
Algo me perturba desde o século passado: a falta de vislumbre das pessoas que me cercam sobre a seriedade do amor que sinto. Amor este que não pode ser medido tão grande que é! Amor este que transcende a troposfera, a mesosfera, a ionosfera, transcende a minha pele, limite entre o perfeito e o imperfeito. Não é? A pele é a representação máxima da mais tênue linha entre a perfeição e a imperfeição. O limite entre o mundo, imundo e impuro, e o corpo, obra máxima da criação divina. Ahhhhhh, sem divagações....
O que me perturba é que, mesmo que fale, mesmo que demonstre, mesmo que exemplifique tudo o que sinto nada, nada mesmo, será tão intenso como a imagem do amor que a pessoa imagina no seu mundo. Amor não é isso! Amor é complemento, amor não é completar. Amor é acompanhar, não é seguir. Amor é uma equação lógica de infinitas variáveis. Nem mesmo a decomposição da integral mais complexa chegará à solução do que é o amor. A idealização do amor leva ao desamor, ao ódio, leva o amor ao fundo do poço.
Penso, como “Artemis”, pensou no fundo do poço, no fundo do túnel, no fundo do corpo, no fundo da garrafa, e quero ir para lá também. Quero ir para onde ninguém me pegue, ninguém me puxe de volta. Preciso, precisa, precisamos disso! Só por um momento. Mesmo que seja por um segundo.
Mas ao pensar no fundo imagino como seria minha vida um segundo sem você. Seria horrível, não saberia viver! Sou errôneo, errado, errante como você, ou melhor, como acho que você é.
E aí te quero mais comigo que a minha alma. Quero-te junto a mim, bem colada.
Amor é isso, eterno conflito entre o que queremos e o que temos! Se não fosse isso não seria amor.
Nesses conflitos que damos valor ao amor que temos.
Eu te amo Morena.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Lembranças

Falta-me inspiração para a escrita. Fogem-me as idéias, mas as lembranças permanecem acesas como aquela vela acesa por ela. Vela branca, parafina escorrida, pavio curto, mas emanando luz como nenhuma outra. Vela acesa, promessa a algum Santo para que tudo voltasse a ser momento.
Lembrança! Lembrança, o dicionário diz que é a “impressão, idéia de uma coisa, de uma pessoa ou de um fato, que a memória conserva; recordação; reminiscência”. Para mim o dicionário não sabe expressar o que é uma lembrança. É mais que isso! Lembrança tem um quê de gosto doce, tem um quê de gosto amargo, tem um quê de choro e um outro quê de sorriso.
A lembrança de outros dias me traz o gosto daquelas garrafas de vinho, daquela garrafa de whisky, daquele bacalhau, daquela pasta de beringela, o gosto do sorriso largo de todos ao redor da mesa. Sim, sorriso tem gosto! De felicidade...
A lembrança daquela música me faz lembrar o movimento doce do corpo da dançarina. Que dançarina! Que corpo, corpo moreno, branco, moreno só pelos cabelos, esguio, quadris largos e metodicamente simétricos, seios milimetricamente moldados para caber nas mãos do amante. O vestido, estampado, sua estampa refletindo a alegria do momento. Um poeta me disse que de longe se via a “magia do momento”! Realmente, quando isso acontece vê-se de longe!
A lembrança tem a sua hora de se tornar lembrança, até lá é o momento! E o momento acaba, torna-se lembrança. Dessa hora lembro bem. O tchau, o até breve, isso me traz o gosto amargo e o gosto do choro que senti, por osmose, ao abraçar a Deusa que inventou tudo isso! A Deusa, envolta em toalha branca, pronta para usá-la nas suas lágrimas já que lenços não teriam a capacidade para enxugar o seu pranto. Lembro bem disso!
Mas a lembrança disso constrói mais e mais a pirâmide da amizade. A Deusa que inventou esses momentos ainda estará envolta na toalha? Será que já trocou para os lenços? O seu choro não será eterno, as lembranças sim!
Lembranças, como são boas as lembranças.

domingo, 21 de novembro de 2010

Fortaleza....de areia!

A fortaleza se desfez! Como pode isso acontecer? Não acredito no que vi, a fortaleza se desfez.
A crença de que seria forte e inabalável à toada do amor, do carinho, do sexo e da cumplicidade não lhe valeu de nada. Nada é tão forte quanto a força do amor.
Não acreditou em sua consciência. Seu id, seu ego, seu super-ego, todos lhe avisaram, mas de nada adiantou. Sabe o motivo? Simples, no coração nem mesmo o cérebro manda. Por isso existe morte cerebral. O coração insiste em continuar lutando, contraria tudo e todos. Ainda não inventaram a máquina para manter o cérebro funcionando junto com o coração, mesmo com vontades difusas. Não há como. O coração é quem manda em nós. Se ele morrer conseguem reanimá-lo mas se ele quiser continuar vivo fica difícil matá-lo!
Se o coração disser “Eu quero” de que vale um cérebro responsável? De nada! O coração mandou, então que assim seja!
Razão e emoção são como água e óleo, convivem no mesmo ambiente mas nunca homogeneamente, impossível isso! Estamos no mesmo corpo, dificilmente na mesma direção. Quando apontam para o mesmo norte a vida perde a graça. Ah, e como perde a graça coração e cérebro na mesma língua, na mesma sintonia. Fica tudo cinza. A graça da vida está nisso, o eterno conflito entre o sim e o não. Cá pra nós, é tão gostoso ser feliz com o coração, mesmo que por um curto espaço de tempo. O cérebro se encarregará de curar o porre, a ressaca, o coração viverá feliz, o cérebro viverá a preparar o coração para uma nova felicidade. Cérebro e tempo andam juntos, de mãos dadas. Não é a toa que a nossa anatomia reservou para o cérebro as funções lógicas. Se fosse no coração seria um desastre só!
Sofra, faz bem sofrer por esse motivo. Sofrer assim nos torna vivos!
Sofra e não se prive de novos sofrimentos. Olhe para trás e nunca se arrependa do que fez, arrependa-se do que não fez, do que fez pela metade ou do que fez com o cérebro!
Sofra, a sua fortaleza ainda será desfeita algumas outras vezes. Todas as vezes que ela se desfizer será reconstruída mais forte ainda. Sofra, sofrer faz crescer.
Sofra, os amigos sabem disso e estarão sempre seu lado esquerdo, amparando o coração que quer pular e sair do peito.
Sofra pois a fortaleza se desfez!

Acordar é bom

O sol lá fora mostra sua força, os pássaros gorjeiam como num coral afinado e descompassado, cada um no seu ritmo, a cama, ainda quente, abriga os dois corpos, nus, em ebulição e loucos para se comerem.
Como num passe de mágica os hormônios se encontram, agridoce, nada a impedir o que está escrito: sexo matinal. Quem não deseja acordar com uma fêmea o acariciando, passando a mão nos locais mais indiscretos? Eu não desejo, eu almejo, eu intento, eu alimento isso. E aconteceu.
Tua mão, tua boca, carnuda e viva, quente e molhada, tocou-me lá embaixo. Fui à loucura. Os lençóis, claros, bege e branco, não conseguem suportar a sofreguidão de nossos desejos. São atirados de lado, permanecem apenas nossos corpos, agora embolados, num ritmo de Zouk, sensualmente embalados, envoltos na atmosfera do sexo, cio total.
Penetro-te, a posição não importa, penetrar-te-ia de qualquer forma, de qualquer jeito, em qualquer posição. Tão molhada, excitada estavas que nada impediria que deslizasse como queríamos. O atrito, a fricção não depende disso, está na cabeça de quem participa desta festa carnal, quase carnaval. O prazer vem daí, da forma como se imagina, da forma como se pretende estar, fazer e gozar. Pense, você sentirá o mesmo!
Giros, movimentos esguios, rápidos, lentos, tudo visando o mesmo que aquela puta na cama, madrugada passada, aquela mesmo que imaginávamos conosco, fazendo o nosso ménage a trois, aquele ménage tão desejado, aquele ménage safado, impuro, delicioso, aquele no qual gozamos como loucos. Isso mesmo, os movimentos visavam o que aquela puta visou e conseguiu. Isso mesmo, gozo, prazer, explosão de sexo em 5 segundos, 10 talvez. Para você 1 minuto, feliz de você.
Gozo, relaxamento, os lençóis voltam à cama, os corpos se acalmam, as mãos sossegam, entrelaçam-se demonstrando o afeto e o amor, os travesseiros, suados, continuam com o cheiro de bordel, de puteiro, aquele cheiro forte de sexo. Os cães que não sintam isso! Adoro esse cheiro, cheiro de liberdade, descompromisso, de sexo.
Volto para meu sono esperando a próxima hora para acordar.
Ah, como é bom dormir e acordar assim.

sábado, 20 de novembro de 2010

Ode a você

Mulher linda, guerreira, encantadora de cafajestes e canalhas. Antes de continuar, cafajeste é o indivíduo mulherengo, mesmo com uma quer outra, canalha é o indivíduo sem moral, infame, vil, desprezível. Não sou esse, sou aquele! Os canalhas não tem capacidade de te ter, este cafajeste tem.
Voltando ao tema, você morena, branca, se quiser pode até ser loira, já até foi,  pode ser tudo. Você com esse corpanzil, lindo, encorpado como um bom vinho, encarnado como um bom tinto, borbulhante como um bom champagne. Você encerra em si a mais pura devassidão, a mais insana ação, o mais tórrido desejo, você encanta até o demônio. De quatro não há visão mais linda. Quadris largos, ancas anatomicamente moldadas para mim, pele macia e cheirosa. Ante isso não tenho como resistir.
Perigo, risco, torpor de inebriar a alma. Encobre esse corpo de desejo, cobre essa alma de vontades. Mata teu homem mesmo à distância, excita, felicita! Nada se compara ao meu desejo por ti. Desejo de cafajeste não se deixa ao vento, pega-se e guarda.
Na cama faz cara de puta, vagabunda. Na mesa faz cara de santa, pura. Ninguém sabe o que faz dentro de uma alcova, gelada pelo ar, quente pelo desejo. Transforma-se na mais inquieta felina, basta que te toque como desejas. No sexo, uma Deusa. Adora sexo, oral, vaginal, anal, quer sexo. Pede, não espera! Quer, manda! Adoro. Nada se compara ao nosso toque, ao nosso corpo embolado, colado, suado, gozado. Monta e rebola, bate, esfola, quase não suporto tanta vontade. Gozar nessas horas é um mero detalhe. Detalhe esse sempre presente no Gran Finale. Nessa hora tudo emudece e tudo escurece. Os sinos tilintam, os trovões ecoam e nada mais importa.
Por trás desse teu rosto angelical esconde-se uma mulher. A minha! Mesmo que não sejas, é minha.
Louvo-te com exaltação, ode a você!

Maldição de um cafajeste

Um amigo me falou disso e me pediu para escrever.

Nas alturas, anoitecendo, nuvens enegrecendo, brancas se tornando cinzas, o sol não ajuda, está fugindo da briga com a noite. A essa hora ele demonstra sua fraqueza? Ao meu lado minha consciência, amiga,  fala para eu escrever e eu escrevo, me rendo.
O título vem fácil, maldição de um cafajeste, afinal vive isso, não é amigo?
Acometido pela mesma maldição de antes, a sua consciência trabalha mais racionalmente. O mesmo quadro se pinta, cores mais vivas dessa vez, a tela é maior. O pintor é o mesmo mas a modelo, que modelo! Não precisa ficar nua, não precisa fazer pose, a pose dela é a sua postura diária. Mulher, brasileira, mulher com cara de felina, mulher com cheiro de mulher, o gosto, não sei, mas deve ser o melhor. Ah, minha imaginação voa....não posso, não posso, não posso, nem devo, mas faço! Por isso sou um cafajeste, mas não sou um canalha, tenho moral, aquele não tem!
Porque essa maldição? O ser mais feliz do mundo é o cafajeste. Encontra sempre a sua felicidade em cada giro do ponteiro, mas nunca vive a felicidade que se apresenta. É obrigado a deixar para trás a sua alegria, encontrada por acaso, talvez num show, talvez num bar, som carioca, som sertanejo, som nordestino, som de Pipa, de Búzios, de Ibiza. Por um momento chora, por um momento grita. Faltam-lhe palavras para expressar o que sente, não pode demonstrar a ninguém o que sente, só ao amigo, confidente das mais indecentes putarias, companheiro das mais infames e devassas noites, divisor de garrafas do “melhor amigo engarrafado”, parceiro das garrafas do andarilho.
A maldição do cafajeste, essa maldição não tem cura. O cafajeste tem cura, deixe de ser um! A maldição jamais. O que viveu está escrito na tábua do tempo, está impresso, imprimido no particípio irregular do verbo, tanto faz, está na sua mente, no seu coração, na sua boca, na sua genitália, na dela, na roupa que se foi com o cheiro, no lençol que ficou com o perfume, na conta do cartão que virá daqui a 30 dias lembrar do ele que viveu, se é que ele vai esquecer.
Amigo, amiga, nada mais importa, tudo está mudado. A vida não pára, agora insolente vida, até quando eu não sei. Em poucos a maldição carrega tanta amargura, em poucos a maldição faz tantos estragos. A maldição afeta a ele, a mim, a você! Ela nos afetou, essa maldição desgraçada.
A partida aconteceu, o retorno irá acontecer? Eu acho que vai, quase certeza! O bacalhau, a berinjela, o tomate-seco, eles continuam sendo feitos, vendidos aos montes, mas não tem o mesmo gosto daquele dia. O vinho, vendido aqui, aí, ali, não tem os mesmos taninos, sulfitos, o álcool, não tem o mesmo gosto daquele. A piscina não está tão quente, nem a sua, nem a dele e nem a minha. Tudo igual e tudo diferente.
A maldição do cafajeste se apresenta, sou eu, é você, é ele.
O teu corpo não mudará, tua voz também não, teu coração, não sei. O do cafajeste mudou, tenho certeza. Mas a consciência agiu, ele não agirá como antes! Não espere nada diferente mas alimente sempre isso. Para crescer precisa de alimento, precisa de amor.
A minha vida, a sua vida, a vida dele, todas estão voltando aos trilhos. A maldição se apresentou.
Voltei, ele também, você ficou! Voltamos com a maldição em nossos pés. O seu envolvimento foi mais intenso que o meu. Eu já me curei. Ela nem lembra mais, coração duro, apenas pele, sexo. Ele ainda lembra, talvez até sofra. Você, tenho certeza! Você sofre, ainda chora, lembra, masturba-se na esperança de gozar como antes. Faça isso mesmo, não se acanhe. Você precisa, merece e ninguém, por enquanto, será tão bom quanto vocês foram. Faça sozinha até se recompor e não tente comparar com o que foi. Acho que a maldição do cafajeste também te atingiu. Pensei melhor, tenho certeza que te atingiu! Ele, não tenho dúvidas, comparou e continuará comparando. Depois saberei.
A maldição do cafajeste. Seja bem vinda! Sou eu, você, ele, somos nós!
Axé Linda, que os santos nos protejam!
Om Sai ram