Santa Criatividade

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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Lembranças

Falta-me inspiração para a escrita. Fogem-me as idéias, mas as lembranças permanecem acesas como aquela vela acesa por ela. Vela branca, parafina escorrida, pavio curto, mas emanando luz como nenhuma outra. Vela acesa, promessa a algum Santo para que tudo voltasse a ser momento.
Lembrança! Lembrança, o dicionário diz que é a “impressão, idéia de uma coisa, de uma pessoa ou de um fato, que a memória conserva; recordação; reminiscência”. Para mim o dicionário não sabe expressar o que é uma lembrança. É mais que isso! Lembrança tem um quê de gosto doce, tem um quê de gosto amargo, tem um quê de choro e um outro quê de sorriso.
A lembrança de outros dias me traz o gosto daquelas garrafas de vinho, daquela garrafa de whisky, daquele bacalhau, daquela pasta de beringela, o gosto do sorriso largo de todos ao redor da mesa. Sim, sorriso tem gosto! De felicidade...
A lembrança daquela música me faz lembrar o movimento doce do corpo da dançarina. Que dançarina! Que corpo, corpo moreno, branco, moreno só pelos cabelos, esguio, quadris largos e metodicamente simétricos, seios milimetricamente moldados para caber nas mãos do amante. O vestido, estampado, sua estampa refletindo a alegria do momento. Um poeta me disse que de longe se via a “magia do momento”! Realmente, quando isso acontece vê-se de longe!
A lembrança tem a sua hora de se tornar lembrança, até lá é o momento! E o momento acaba, torna-se lembrança. Dessa hora lembro bem. O tchau, o até breve, isso me traz o gosto amargo e o gosto do choro que senti, por osmose, ao abraçar a Deusa que inventou tudo isso! A Deusa, envolta em toalha branca, pronta para usá-la nas suas lágrimas já que lenços não teriam a capacidade para enxugar o seu pranto. Lembro bem disso!
Mas a lembrança disso constrói mais e mais a pirâmide da amizade. A Deusa que inventou esses momentos ainda estará envolta na toalha? Será que já trocou para os lenços? O seu choro não será eterno, as lembranças sim!
Lembranças, como são boas as lembranças.

4 comentários:

  1. As aparências enganam, aos que odeiam e aos que amam
    Porque o amor e o ódio se irmanam na fogueira das paixões
    Os corações pegam fogo e depois não há nada que os apague
    se a combustão os persegue, as labaredas e as brasas são
    O alimento, o veneno, o pão, o vinho seco, a recordação
    Dos tempos idos de comunhão, sonhos vividos de conviver
    As aparências enganam, aos que odeiam e aos que amam
    Porque o amor e o ódio se irmanam na geleira das paixões
    Os corações viram gelo e, depois, não há nada que os degele
    Se ha neve cobrindo a pele, vai esfriando por dentro o ser
    Não há mais forma de se aquecer, não há mais tempo de se esquentar
    Não há mais nada pra se fazer, senão chorar sob o cobertor
    As aparências enganam, aos que gelam e aos que inflamam
    Porque o fogo e o gelo se irmanam no outono das paixões
    Os corações cortam lenha e, depois, se preparam pra outro inverno
    Mas o verão que os unira, ainda, vive e transpira ali
    Nos corpos juntos na lareira, na reticente primavera
    No insistente perfume de alguma coisa chamada amor

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  2. A toalha continua umida, os olhos marejados, a mente pedindo pra deixar pra trás o que foi vivido, o coração bombeando saudade, dor e prazer... e Eu? Eu sou hora Nelson Rodrigues, hora Clarisse Lispector... Pueril e Nefelibata, Iconoclasta e pedante, arrisco em dizer. Pernóstica e um amorzinho ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva, ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta, ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida, ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua, ou cocote célebre do tempo dos nossos pais, ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -, tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
    Continuarei vivendo, lendo, amando e aprendendo! Afinal de contas o samba sempre é mais bonito quando tem um quê de sofrimento!!

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Lembranças Boasss!!sempre é bom lembrar!! As ruins esqueça!!Einstein dizia que não se cansava de contemplar o mistério da eternidade da vida.Também já dizia um amigo; eterno em enquanto dur..rsrsrs
    Enquanto a lembrança esta fulgente,usufrutuar é o melhor a fazer!!

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